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Como ácidos graxos ômega-3 reduzem a inflamação

3 de Maio de 2010, Jornal Gaea

LONDRES - Pesquisadores na Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh descobriram novos mediadores que não só podem explicar como os ácidos graxos ômega-3 reduzem a inflamação, mas também sugerem novos tratamentos para uma série de doenças associadas a processos inflamatórios.

Dr. Bruce A. Freeman afirmou que há fortes indícios de que o consumo de alimentos ricos em ácidos graxos ômega 3, como peixes, óleos de origem vegetal, nozes e castanhas ou tomando um suplemento de ômega-3, reduz a inflamação e reduz os riscos de doenças cardiovasculares e outras doenças inflamatórias. Segundo Freeman, “o que tem sido uma questão instiguante para as pessoas familiarizadas com essas ações impressionantes dos ácidos graxos ômega-3 é entender como eles induzem tais efeitos farmacológicos benéficos. Este estudo nos deu uma nova perspectiva reveladora desse processo.”

No estudo, também liderado pelo Dr. Francisco J. Schopfer, os pesquisadores examinaram subprodutos metabólicos dos ácidos graxos ômega-3 que são produzidos por macrófagos ativados, um tipo de célula imunológica que está sempre presente no tecido inflamado, e descobriram a bioquímica dos mediadores da inflamação, até então desconhecida.

Eles usaram uma pequena molécula chamada beta-mercaptoetanol (BME) como uma isca reativa e "capturaram" vários derivados dos ácidos graxos ômega-3 que foram produzidos por células do sistema imunológico.

Estes derivados foram quimicamente modificados para se tornaram produtos electrofílicos de oxidação de ácidos graxos (EFOX), o que significa que são atraídos a electrons e, portanto, reagem com alvos moleculares críticos em muitos tipos diferentes de células.

Ao interagir com os resíduos de certas proteínas que têm electrons disponíveis para as ligações químicas, estes derivados estimulam alterações na função da proteína celular e nos padrões de expressão genética de células, resultando em uma ampla gama de respostas antioxidantes e anti-inflamatórias.

A equipe de pesquisa descobriu que uma enzima denominada ciclooxigenase-2 (COX-2), qual é o alvo molecular de drogas comuns, como aspirina, ibuprofeno e acetaminofeno, medeia a transformação de ácidos graxos ômega-3 em EFOX.

Notavelmente, as concentrações celulares de ácidos graxos electrofílicos (EFOX) foram, significativamente, maiores na presença da aspirina, sugerindo um outro mecanismo para os efeitos benéficos deste medicamento.

"Há bastante evidência que indica a minimização da inflamação como uma tratamento fundamental para muitas doenças. Nossas novas descobertas ajudam a explicar, em parte, a multiplicidade de ações benéficas observadas para ambos ácidos graxos ômega-3 e aspirina, e a descoberta desta nova classe de ácidos graxos ômega-3 derivados de mediadores anti-inflamatórios poderia apontar para o desenvolvimento de medicamentos em novas e frutíferas direções", afirmou Freeman. Por exemplo, as drogas que, como a aspirina, aumentam a produção de ácidos graxos electrofílicos (EFOX) poderiam ser de valor, ou novos agentes podem ser sintetizados que sejam capazes de induzir sinais anti-inflamatórios que sejam semelhantes aos induzidos por EFOX, ele explicou.

As descobertas foram publicadas na versão online da revista natureza
Biologia Química da Natureza. (ANI)

 

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